Grupo dos 20 - G-20
O Grupo dos 20 (G-20) foi criado no ano de 1999 com o objetivo de desenvolver um fórum de discussão sobre questões econômicas globais onde figurassem às mesas de discussão não apenas os países industrializados mais importantes, como também os países em desenvolvimento. Com efeito, em 2009 o G-20 é composto pelas 20 maiores economias do globo, que juntas detém mais 85% da soma do Produto Interno Bruto, 80% do comércio mundial e dois terços da população global.
A Organização foi criada por iniciativa do Grupo dos 7 (G-7) e é sucessora de outras iniciativas que empreenderam trazer as discussões acerca da economia global para grupos maiores de países e, portanto, mais representativos. No final do ano de 1998 ocorreu a reunião do Grupo dos 22 e no início do ano seguinte um grupo ainda maior de países (G-33) discutiu sobre a necessidade de se reformar o Sistema Financeiro Internacional (SFI) e favorecer mudanças na economia mundial. As propostas apresentadas nessas reuniões, aplicadas ou não, demonstraram a importância de existir um fórum econômico abrangente e permanente, que trouxesse para a discussão as economias emergentes. Assim, ainda no ano de 1999, foi criado um fórum consultivo regular institucionalizado sob o nome de G-20.
O Grupo dos 20 coopera intensivamente com outros órgãos supranacionais que têm o condão de informar e embasar as decisões tomadas em suas cúpulas, notadamente com as instituições de Bretton Woods. A participação do Presidente do Banco Mundial e do Diretor do Fundo Monetário Internacional nas reuniões do G-20 consubstancia esse esforço multilateral na busca de posições adequadas e comuns aos interesses não apenas das nações integrantes do Órgão, como de toda a comunidade internacional.
As reuniões do G-20 são, via de regra, realizadas anualmente e conduzidas pelos Ministros de Finanças e pelos Dirigentes dos Bancos Centrais dos países membros. Essas reuniões são antecedidas por encontros técnicos que devem embasar as discussões que serão realizadas pela cúpula de Ministros.
No entanto, extraordinariamente, são conduzidas reuniões entre Chefes de Estado, como a ocorrida em 2008, na cidade de Washington, e em Londres, em abril de 2009. No panorama dessa nova crise do capitalismo, o Grupo dos 20 ganha especial relevância, pois diferentemente de outras crises econômicas, que se iniciavam no seio dos países emergentes, essa teve seu nascedouro e epicentro na maior economia do mundo, espalhando-se rapidamente e mais acentuadamente para os países mais desenvolvidos, restando, portanto, aos países em desenvolvimento juntarem-se à solução do problema.
Para tanto, entre os dias 14 e 18 de Outubro do corrente ano, os delegados do G-20 se reunirão extraordinariamente na Cidade de Natal, no Brasil. O assunto debatido será a Reforma do Sistema Financeiro Internacional, que compreende a reformulação das instituições financeiras internacionais e a adoção de políticas de transparência e responsabilidade financeira. As comitivas dos países membros serão compostas pelo Chefe de Estado e o Diretor do Banco Central dos países membros. Esperamos que as discussões sejam proveitosas e possam reorganizar o SFI de forma a estabilizar a economia global e prover desenvolvimento para todas as Nações do globo.
Tema único - A Reforma do Sistema Financeiro Internacional
Dos períodos de forte crescimento global, caracterizados pela intensa oferta e mobilidade do capital, decorre o surgimento de um período de estabilidade, como o foi os primeiros anos desta década. Essa estabilidade prolongada provocou um forte sentimento de confiança nos últimos anos, induzindo os agentes financeiros a tomarem decisões e assumirem riscos sem a devida precaução. Esse fato, combinado com a inexistência de um Sistema Financeiro Internacional apto a gerenciar riscos, tornaram o mercado financeiro vulnerável ao surgimento de múltiplas operações irregulares.
Mesmo nos países mais industrializados, os Estados Reguladores não apreciaram adequadamente os riscos que vinham sendo criados nos seus sistemas financeiros internos ou mesmo se preocuparam com as conseqüências externas das medidas regulatórias domésticas.
A exacerbada liberdade concedida aos atores financeiros privados nos Estados Unidos, aliada a uma política econômica marcada pelo amplo incentivo ao consumo, desencadeou o surgimento de inovações financeiras de alto risco que culminou no estouro de uma bolha imobiliária, seguindo-se de uma crise de confiança nos investidores de todo o mundo e de forte contração do crédito.
Desde a grande depressão de 1929, não se tem registro de colapsos econômicos de gravidade comparável ao que se observa na atualidade. Uma profunda crise de confiança se instalou em âmbito global, acarretando violento abalo ao setor privado e comprometendo a economia de Estados desenvolvidos e emergentes.
De acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira Mundial divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) , o prejuízo da crise pode atingir o patamar de quatro trilhões de dólares para a economia mundial, sendo dois terços desse valor referentes apenas ao setor bancário.
De outro lado, as expectativas do Banco Mundial sugerem que o crescimento da economia em 2009 seja o pior desde 1945, e o comércio exterior de bens e serviços se reduza em 6,1% neste ano. A resposta imediata dos Estados à crise ocorreu sob a forma de medidas de resgate, elaboradas pelos seus respectivos bancos centrais, em que foram injetadas vultosas quantias monetárias destinadas a prover liquidez ao mercado financeiro interno, garantindo-se depósitos bancários, nacionalizando-se instituições financeiras comprometidas, concedendo-se incentivos fiscais, dentre outras medidas.
Em caráter global, todavia, ainda não se observa ações concretas por parte dos organismos internacionais. O FMI limitou-se a elaborar um relatório intitulado Estabilidade Financeira Global em que apresenta sugestões aos Estados para combater a crise, apoiando as medidas governamentais de intervenção na economia com a finalidade de neutralizar as distorções do mercado.
Por outro lado, o Grupo dos 20 tem desempenhado papel relevante na articulação dos Estados contra a recessão econômica. Na data de 15 de Novembro de 2008, as 19 maiores economias do mundo, somadas à União Européia, anunciaram uma política a ser desenvolvida que consiste em cinco princípios básicos: fortalecer a transparência e a responsabilidade das aplicações financeiras; aperfeiçoar a regulação; promover a integração dos mercados financeiros; reforçar a cooperação internacional; e reformar as instituições financeiras internacionais .
Esse quadro expõe a fragilidade do sistema financeiro conduzido pela ausência de boa fiscalização e regulamentação.
A par dessas circunstâncias, é patente a necessidade de reestruturação de áreas diversas para reduzir os riscos de uma nova crise semelhante. O atual cenário financeiro aponta para a imprescindibilidade de encontrar uma melhor forma de avaliar o risco sistêmico, melhorar a transparência e a divulgação dos riscos no mercado e expandir a regulamentação das instituições internacionais, garantindo a participação de diversos países e promover ações coordenadas mais eficazes.
É imperativo discutir questões cruciais como:
Qual deve ser o alcance da regulação nos sistemas financeiros internacionais?
Os organismos internacionais da época são aptos a assumir o papel de liderança supranacional?
É preciso a criação de um novo órgão?
| Anexo | Tamanho |
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| G-20.pdf | 947.48 KB |
| g-20 2.pdf | 1.1 MB |




